quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Vi



Vi

Vi vivi e comi
Vi amei e corri
Vi comi e amei
Vi olhei e senti
Vi dancei e cai
Vi beijei e sai
Vi cantei e dormi
Vi li e bati
Vi nu e voei
Vi coberto e gostei
Vi fechei e abri
Vi você bem ali
Vi os olhos enfim
Vi a vida florir
Vi tua mão me beijar
Vi teus lábios abraçar

Te amei por que te vi ?

Não!

Te amei por que te senti!

José Alberson

O telepata



O telepata

Eu não leio pensamentos!
Leio sorrisos 
Leio olhares
Eu não leio pensamentos!

Eu te peguei pensando em mim
Não diga que é mentira
Não precisa mentir a assim
Eu te peguei pensando em mim

Eu não sei voar!
Sei correr
Sei andar
Eu não sei voar!

Eu te encontrei correndo
Atrás do mundo
Atrás do vento
Eu te encontrei correndo

Eu não te vejo por dentro!
O corpo
O osso
Eu não te vejo por dentro!

Eu escuto seu coração
Levemente batendo
Levemente vivendo
Eu escuto seu coração

Tum-tum,tum-tum!

José Alberson


segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Magia Celta - Vastor Mundrin



Magia Celta

Nove madeiras no caldeirão vão,
queime-os rapidamente e queime-os lentamente. 
Vidoeiro no fogo vai, 
para representar que a Senhora tudo sabe.

Carvalho dá à floresta poder, 
no fogo traz a visão e de Deus compreensão. 
Sorveira é a árvore do poder,
dando vida e magia à flor.

Salgueiros na orla descansam,
para ajudar na jornada ao País do Verão. 
Pilriteiro é queimado para purificar
e trazer fadas ante seus olhos.

Aveleira, a árvore da sabedoria e da aprendizagem,
aumenta sua resistência com ao brilhar e queimar do fogo. 
Branca são as flores da macieira,
que nos traz os frutos da fertilidade.

Pinheiro é a marca do sempre-verde,
para representar a imortalidade invisível. 
Sabugueiro é a árvore da Senhora,
não o queime, ou será amaldiçoado.

Vastor Mudrin


Estaca Zero



Estaca Zero

Quero voltar ao limite
Quero voltar ao original
Quero voltar ao começo
Quero voltar ao banal

Quero ir aonde fui
Quero ir onde passei
Quero ir onde começou
Quero ir aonde amei

Sei que não posso
Sei que não devo
Sei que não volto
Sei, pois eu vejo

Escorreu pelos dedos
E não foi por que eu quis
Deslizou pelos dedos
Foi tão rápido que não vi

E o que sobrou
Um sopro levou
Um sopro leve
Que minha boca soprou

Pois quis rebobinar
Pois quis reviver
Pois quis recomeçar
Pois quis refazer

Rebobinar foi o que fiz
Reviver foi o que fiz
Recomeçar foi o que fiz
Refazer foi o que fiz

Fui correndo ao limite
Fui correndo ao original
Fui correndo ao começo
Fui correndo ao banal

Fui correndo aonde fui
Fui correndo onde passei
Fui correndo aonde comecei
Fui correndo aonde amei

Virei a ampulheta
Tenho tempo de sobra
Mas mesmo assim
Não é muito tempo

Por isso quero meu céu
Cor de infinito
Por isso quero o teu papel
Branco infinito

Por isso quero a minha filha
Em duas dividida 
Por isso quero a tua vida
Branca limpa

Quero voltar a mim
Quero voltar a nós
Quero voltar a ti
Quero voltar a vós

Quero voltar à vida
Quero voltar à cruz
Quero voltar à guilda
Quero voltar à luz

Agora sei que cheguei
Agora sei que voltei
Agora sei que desci
Agora sei que calei

E não me envergonho disso
E não me calo por isso
E não me inveje por isso
E não me orgulho disso

Tenho necessidade disso
Tenho vontade disso
Tenho desejo nisso
Tenho atração por isso

Quero voltar ao grande barulho
Ao grande barulho voltar eu quero
Desejo infinito porem sincero
Quero voltar ao início

A estaca zero

José Alberson

sábado, 4 de janeiro de 2014

A Cobiça - Sara Melyssa



A Cobiça

Porfiei a necessidade de permanecer lhe beijando
Entre confissões cegas de um desejo mundano

Tateando teu corpo nas brumas do meu anelo 
Proveniente dos pensamentos mais perversos

Mantendo o primor de uma nostalgia a bisar 
O que é, de fato, o único ardor que hei de carregar

Que não me permite submergir ao novo estado
Se o que carrego é a lembrança de um fardo

Do que és e o que somos nesta existência vazia, 
Inebriante aos gostos mais apurados em melancolia

Repetindo o que apetece o corpo a fim de reviver
Este organismo já tão podre pela inércia do ser

Espezinhando minha moral e meu renome
Causando motim na fugaz presença de teu nome

Pois basta o mais singelo pormenor no mais efêmero viés
Que me traga um pedaço imensurável da reminiscência do és

Fazendo-me ser maçante em total essência vulgar
Por culpa de uma estável cobiça de querer te amar.

Sara Melyssa
http://saramelyssa.blogspot.com.br/


Ira



Ira

Olhe minhas mãos
Sujas com o ódio
Essa chuva vermelha
Não vê como me molho?

Olhe, observe!
Veja o que me trouxe a vida
Punhados e mais punhados
Da mais pura ira

Ira
Que tem gosto de desespero
Ira
Que me fez quebrar o espelho

Olhe meu rosto
Contorcido pela dor
Essa chuva vermelha
Não alivia o meu calor

Ri, ri a vontade
Pois a dor que sinto
Sentiras quando estiveres
Na mais dolorosa necessidade

Dor
Que me arranha o peito
Dor
Que me tirou do leito

Ousa os barulhos
Das mutilações
Esquecem que eu também tenho
As minhas emoções

Cortaram-me
Os braços
E fizeram minha alma
Pisar em cacos

Mutilaram-me
Costurarão minha boca
Por uma razão coerente
Mas, ao mesmo tempo louca

E agora meu coração
Pesa com o rancor
Meu coração foi pintado
E só foi com uma cor

Com o vermelho da ira
Ira
Que água não apaziguá
Só quando a verdade for realmente dita



Essa tormenta
Que se faz no coração
Lembra-me constantemente
Que tudo esta no chão

E eu só quero
Que a luz brilhe no meu alcance
E que ela nunca mais
Se faça tão distante

José Alberson