quarta-feira, 2 de outubro de 2013

Alzheimer



Alzheimer

Me esqueci que tenho medo
Me esqueci que tenho planos
Me esqueci que tenho irmãos
Me esqueci que sou humano

Me esqueci do meu limite
Me esqueci da minha gripe
Me esqueci do desaforo
Me esqueci do meu choro

Esqueci minhas palavras
Esqueci a poesia
Esqueci minha tristeza
Esqueci o que é alegria

Esqueci as estrelas
Esqueci da bela lua
Esqueci dos meus amigos
Esqueci da minha rua

Não sei o que aconteceu
Esqueci até mim!
Esqueci os olhos meus
Só me lembro dos teus

Me esqueci da minha infância
Me esqueci que sou cantor
Me esqueci das lembranças
Me esqueci o que é uma flor

Me esqueci da minha mãe
Me esqueci do meu pai
Me esqueci do amanhã
Me esqueci do “já mais”

Esqueci da musica 
Esqueci dos belos pássaros
Esqueci a loucura!
Esqueci... Incertos passos

Esqueci o perto
Esqueci o longe
Esqueci o executivo
Esqueci o monge

Não sei por que não estou ali
Não sei se estou aqui
Esqueci onde estou
Esqueci quem sou

Me esqueci do meu amor
Me esqueci que estou casado
Me esqueci o que é amante
Me esqueci o que é pecado

Me esqueci da janela aberta
Me esqueci por causa dela
Me esqueci dos meus contatos
Me esqueci até dos fatos

Esqueci até o que é vontade
Esqueci a realidade
Esqueci dos meus dilemas
Esqueci o que são problemas

Esqueci o que é vida
Esqueci o que é morte
Esqueci o que é azar
Esqueci o que sorte

Não sei se o que fiz foi certo,
Não sei; não, nem isso!
Estou incerto...
Esqueci da minha dor

Só me lembro que tenho Alzheimer
Alzheimer do amor...

José Alberson

Destino



Destino

Qual será meu próximo passo ?
Minha próxima escolha?
Meu destino?
Sou como uma folha

Jogada ao vento
Imprevisível
Meu destino...
É invisível

E não importa se é real
O importante que é infinito
Cheio de pulsação
Sem profecias

É como o silencio
Dos acontecimentos
Vivo os momentos
O caos do tormento

Um sorriso?
Ou uma porta
Uma entrada?
Ou uma saída

As mãos estendidas para o céu
E o que vejo são formas uniformes
Castelos, naves e sereias
Tomando formas inesperadas

Como meu destino

Me diga a melodia que virá
E eu te prego uma peça
Me vestirei de verde
E no fim estarei de azul

Estou em pleno movimento
Mas não posso olhar para frente
Não gosto do porvir
Gosto de sentir o sabor

De olhos fechados!

Nessa fantasia sem nome
Complexo sem nexo
Infinitos finais
E só um começo

Vivo...

Correndo o ritmo
Me arriscando em sonhando
Sem me importar com o que virá
Sentindo a vida

De olhos fechados!

Vou descobrir
Vou revelar
Apenas pra mim
Só pra mim

O sabor de um destino...

...invisível

José Alberson.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

Eu




Eu

Um dia tive arte nos dedos
E centenas de paginas para sonhar
Hoje tenho pó nos sapatos e calos nos dedos
E nenhuma arte para respirar

Talvez eu precise de tempo?
Não, eu não preciso
Ela vive em mim
Como as estrelas no céu

Nunca vou dizer que nasci para isso
Vou dizer que nasci com medos e segredos
Para serem compartilhados
Em palavras ou versos, polidos ou empoeirados

Tenho olhos sabia?
Para ver o que o mundo gosta de mostrar
Mas o que vejo só eu posso dizer
Não descreva nada por mim, é impossível

E você sabe disso
A tempestade é um feliz aprendizado
O mar é o recluso lugar do aprendiz
Lá tiram tudo, nos tiram o chão

Mas o mar da vida nos ensina 
A fazer da nossa fraqueza
O chão para nossos pés
Sim, nos faz mais fortes

Sim hoje falo de mim
Amanhã de você
Depois de nós
Pois hoje quero apenas ser eu

José Alberson

Preciso de Solidão - Sandra Gonçalves



Preciso de Solidão

"Preciso de mim,
para deglutir direito
as coisas à minha volta...
Para deletar de vez o
que não me faz bem...
Nunca tive problemas
em virar as costas e
não dar nem tchau...
Mas a situação me
surpreendeu...
O bote, desta vez
veio de quem eu menos
esperava...
Ah!!!!
Como preciso de solidão...
mas estou inquieta...
Não consigo me deixar em paz!!!

Sandra Gonçalves.



Nordeste - Néia Oliveira




Nordeste

Somos o Nordeste, um povo guerreiro
Temos orgulho da nossa cultura e nossa cor
Somos humildade por inteiro
Nosso bem maior é o amor

Somos Bahia, terra de todos os Santos
Somos orixás, somos capoeira de Mestre Forte
Nosso axé desperta muitos encantos
Nosso carnaval é o melhor, somos um povo de sorte

Temos orgulho da nossa tradição Afro-brasileira
Uma diversidade de povos, uma riqueza cultural
Somos Olodum, acarajé, dança, música e brincadeira
Somos o sonho imaculado de sermos um País igual

''Orgulho de ser nordeste''

Néia Oliveira













Vaga-lumes



Vaga-lumes

Vaga-lumes são estrelas
Que caíram do céu
E ficam vagando
Na terra morando

Mas, a historia pode ser outra

Vaga-lumes comem estrelas
Que caíram do céu
E ficam passeando
Se exibindo e pirulitando

Mas, a historia pode ser outra

Vaga-lumes viram estrelas
Que voram muito alto para o céu
E ficam paradas
No céu caladas

Mas, já me disseram

Vaga-lumes eram estrelas
Que desceram do céu
Para ver o que tem na terra
Banhar em luz que estava em trevas

Mas, um dia me falaram

Vaga-lumes são vaga-lumes
Estrelas são estrelas
Qualquer coisa além disso...
...é pura besteira

Mas simplesmente respondi
Besteira é ser preso a realidade
Estrelas são elefantes brilhantes
E vaga-lumes são lanternas da verdade!

José Alberson





Menina Mulher - Maria Esperança




Menina Mulher

Menina sapeca
Moleca dengosa
Que joga peteca
Que quer te amar
Que passa na ponte
Vestido que voa 
Com seus rodopios
E música entoa
No seu caminhar.
Gira no bambolê
Bebe água da fonte
Tem sede de beijos
Tem fome de amar.
Garota levada
Que sabe o que quer
Menina Sapeca
Menina! Mulher!

Maria Esperança